O peso invisível de tentar dar conta de tudo

Marcelo Alves
Por Marcelo Augusto Alves Psicólogo Clínico e Neuropsicólogo

O despertador toca e o primeiro sentimento que surge é uma vontade imensa de continuar na cama. Não é preguiça. A preguiça costuma passar depois de um banho ou de um café. O que você sente é um peso real no corpo inteiro. Uma sensação profunda de que a bateria já começa o dia no vermelho e que as próximas horas vão exigir uma energia que você simplesmente não tem mais.

É muito comum a gente se culpar por isso. A gente se olha no espelho e pensa que deveria ser mais forte. Que deveria dar conta igual as outras pessoas do escritório parecem dar. Mas a verdade é que o esgotamento extremo não diz absolutamente nada sobre a sua capacidade ou sobre o seu valor. Ele diz muito sobre o lugar onde você está.

A pesquisadora Christina Maslach dedicou a vida a estudar o burnout e ela nos traz um alívio enorme ao afirmar que o burnout não é um problema do indivíduo mas sim um problema do ambiente social no qual a pessoa trabalha. Ou seja, você não quebrou. O solo onde você está plantado é que parou de fornecer nutrientes e passou a exigir água demais. Nenhuma planta floresce num terreno assim.

Pensa na nossa rotina como um sistema constante de trocas. A gente acorda cedo, resolve problemas difíceis, enfrenta prazos apertados e lida com pressões diárias. A gente faz tudo isso esperando algo em troca. Pode ser o salário, o reconhecimento, um momento de paz no fim do dia ou a sensação de estar construindo algo com propósito. B. F. Skinner costumava lembrar que nós somos moldados pelas consequências das nossas ações. Se o ambiente só exige esforço e as coisas boas demoram muito ou nunca chegam, o nosso corpo simplesmente para de responder. É uma defesa natural. Um mecanismo inteligente de sobrevivência do seu organismo para evitar que você gaste energia onde não há retorno.

O sofrimento costuma aumentar muito quando a gente começa a brigar com essa defesa natural. A gente cresce ouvindo regras muito rígidas de que desistir é fraqueza ou de que precisamos aguentar firme a qualquer custo. O psicólogo Steven Hayes nos lembra de algo muito importante ao dizer que nós sofremos porque lutamos contra a nossa própria dor. Quanto mais a gente luta contra o cansaço tentando fingir que ele não está ali, mais a gente se enreda nele e mais exaustos ficamos.

E se a gente apenas reconhecesse que esse cansaço faz todo o sentido do mundo?

Para te ajudar a olhar para isso com mais clareza eu deixei um termômetro interativo logo aqui embaixo. Ele é baseado em um instrumento científico muito respeitado chamado Inventário de Burnout de Copenhague. Não é um diagnóstico médico, mas é uma ferramenta poderosa para você medir como o seu ambiente de trabalho está impactando a sua energia hoje. Leva apenas alguns minutos para responder.

Instrumento validado • CBI-R

Reflexão sobre Bem-estar no Trabalho

Uma avaliação baseada no Copenhagen Burnout Inventory

Este espaço foi criado para você refletir sobre seu momento atual no trabalho, explorando três dimensões importantes:

1. Exaustão Pessoal: Cansaço físico e emocional geral.
2. Exaustão pelo Trabalho: O impacto específico da sua rotina.
3. Exaustão por Pessoas: O impacto das relações profissionais.
Dimensão 1 de 3: Exaustão Pessoal
Seu cansaço na vida em geral
Dimensão 2 de 3: Pelo Trabalho
O impacto do ambiente de trabalho
Dimensão 3 de 3: Pelas Pessoas
O contato profissional com outras pessoas
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Exaustão Pessoal (0/30)
Pelo Trabalho (0/30)
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Dar espaço para essa exaustão sem se julgar é o primeiro passo para pensar em mudar de rota. Falar de transição de carreira assusta muito. Parece que significa jogar tudo para o alto amanhã e dar um salto no escuro. Mas não precisa ser assim. Mudar de rumo é na verdade começar a dar pequenos passos em direção às coisas que realmente importam para você. É voltar a regar aquilo que te faz sentir vivo e presente, construindo caminhos novos de forma segura.

A terapia é esse lugar seguro para a gente desenhar esses passos no seu ritmo. Um espaço sem julgamentos para olhar de perto como o seu ambiente está te afetando hoje e planejar saídas sem atropelar quem você é. Se o resultado do termômetro te fez refletir e essas palavras fizeram sentido para você hoje, clica no botão abaixo para a gente agendar uma primeira conversa.